Insucesso

“E agora, José? A festa acabou a luz apagou, …” (ANDRADE, 1990).

Todos adoramos alcançar o sucesso. É muito bom!

Empresas, profissionais, pais e governantes se esforçam, se desafiam sempre! Precisamos ganhar!

Comemoramos, abrimos nossos “Casos de Sucesso” para os grupos que participamos. Divulgamos, através das mais diversas redes, dos mais diversos meios de comunicação e marketing. Ampliamos nosso networking.

Sem dúvida, aprendemos muito!

Por vezes, parece, até mesmo, que o insucesso não existe de tanto que é torcido e retorcido, na tentativa de não ser percebido.

Muitos de nós já tivemos inúmeros casos, “tidos como de insucesso” e não os compartilhamos.

Talvez, ainda, precisamos aprender, de fato, o quanto uma história ou uma experiência deste teor, poderão ajudar muitas pessoas, e a nós, principalmente.

Vamos examinar estes casos mais de perto.

Podemos começar pelos inúmeros pedidos feitos a DEUS sem respostas.

Willian Shakespeare (1564-1616) disse: “Aprendi que deveríamos ser gratos a Deus por não nos dar tudo que Lhe pedimos.”

Quantas e quantas vezes já ouvimos: “Uma hora vou largar tudo e abrir uma pousada ou vou vender sanduíches na praia”. Seria muito bom viver o desapego e largar meu emprego, aqui na Paulista, que me sufoca. Tirar a cor cinza da minha pele. Mas, eu sou um homem de sucesso, respeitado e com a ‘vida ganha’” .

Com esta ação, o nosso “ator“ está colocando uma tarja preta na testa e outra no sangue em letras garrafais – “Eu sou um caso de Insucesso!”.

Os valores e as conquistas mudaram de lugar e a felicidade se transformou em coisas outras. Brinquedos como carros importados, implantes de cabelo, plástica ao insistir que o melhor é parecer com a boneca Barbie, tratamentos absurdos para ser magra como as modelos famosas e tantas outras coisas.

Lembro-me, nitidamente, que ao viver muito perto da minha avó, uma italiana “retada”, celebrávamos a comida boa à mesa onde todos estavam presentes, o frescor entrava pela casa de janelas abertas, filhos estudados e bem casados, “pelo menos supostamente bem casados.”

Daí, a vida corre e nós mais ainda. Dias e dias sem tempo para o almoço. Já somos a segunda geração dos divórcios sem culpa.

“Tome cuidado com o vazio de uma vida ocupada demais”. (SÓCRATES, 469-399 a.C.).

Ocupados demais, pois temos muito a fazer.

Precisamos ser bem-sucedidos, ganharmos muito “$” para sermos um “Caso de Sucesso”, respeitados, também, na família. Será que havia dúvidas?

Qualquer modelo diferente é duvidoso.

Da felicidade pouco se ouve falar, exceto em consultórios médicos, onde, muitas vezes, ela, a falta da felicidade, se transformou em doença.

Adquirimos crenças que nos limitam, hábitos que não mudam há anos, diversões e mais diversões, alcoolismo, baixa estima e a percepção verdadeira de nós mesmos.

E o trabalho para o qual tanto nos preparamos para termos uma carreira de sucesso? Continua a todo vapor.

Depois de um infarto, um acidente, uma disfunção nervosa grave, rompimento com a família, é possível enfrentar o tal chamado e, nem tão conhecido, “Caso de Insucesso”.

Penso que deve ser delicioso ser um hippie fora de época, levantar todos os dias com o “Carpie Diem” e um belíssimo café da manhã.

Fazer do trabalho uma diversão gostosa, recheada de prazer ao produzir e construir verdadeiras “Obras de Arte”.

Ser feliz e ter insucesso pode ser muito difícil para a nossa geração, que agora irá aprender e mergulhar na revolução digital.

Esta geração que não larga “o osso”, uma geração que alguns, ainda, estão lendo Mark Manson (2017) e…, e…, e…, quantos rodeios para falar o nome do tal livro – “A sutil arte de ligar o f*da-se”.

O mundo é outro, os matizes são outros. Já ouvi que diploma será pouco valioso daqui a pouco, principalmente em tecnologia, este conceito é mais bem entendido, frente a atitude e competências.

Onde ficam hábitos que não mudam há anos, diversões e mais diversões e o trabalho para o qual tanto nos preparamos para termos uma carreira de sucesso?

A noção de que a Terra é redonda indica que o formato do globo terrestre é esférico, em oposição a ideia da Terra plana. O paradigma da Terra esférica apareceu na filosofia grega no século VI a.C. com Pitágoras (570-496 a.C.), embora a maioria dos filósofos pré-socráticos defendesse o modelo da Terra plana.

Enfim, o mundo é plano, os modelos de sucesso são outros, os chamados muito loucos, mudam inteiramente suas vidas, pedem demissões com altos salários e saem pra vida com muita responsabilidade. Nunca uma aventura, a não ser a aventura de estar cumprindo o melhor para si.

Vão para a praia, fazem “comidinhas” deliciosas, doces, guloseimas e vendem alegria e saúde todos os dias.

Carpe – diem!

Vivemos nesta Terra no dia a dia como se fôssemos eternos.

É preciso crer para ver a amplitude da vida, antes de nos tornarmos pó de estrela!

#olhosquebrilham #inquietandoaordem #headhunterevoce #inovacao

 

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Carlos Drummond de. Seleta em prosa e verso. 10. ed. Rio de Janeiro: Record, 1990.

MANSON, Mark. A sutil arte de ligar o F*da-se: uma estratégia inusitada para uma vida melhor. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2017.

TERRA REDONDA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2018. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/w/index.php? title=Terra_redonda&oldid=52150679>. Acesso em: 22 maio 2018.

Efigênia Vieira